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adoro conversas profundas. adoro ouvir sobre todos os mínimos detalhes que a maioria das pessoas acham corriqueiros demais para se saber. então conte-me sobre como seu primeiro cachorro te fez feliz. conte-me sobre seus doces favoritos. conte-me sobre os motivos que te fazem preferir desabafar com seu pai do que sua mãe. diga-me sobre seus autores favoritos, suas teorias conspirações prediletas e cante para mim as partes preferidas das suas músicas mais amadas e adoradas.

conte-me sobre o nada e o tudo que torna o seu universo tão único.

como ondas em sua pura revolta durante uma tempestade marítima, entorpecida entre as folhas em decomposição do outono, flutuando em minha própria bolha de sabão no espaço entre buracos de minhoca, inerte com as picadas de abelhas polinizadas por musgos de um carvalho envelhecimento. correndo por ruínas e templos esquecidos, orbitando fora de contexto.

perdida no êxtase do amor esquecido.

não a nada mais dolorosamente bonito que eu possa escrever que consiga captar e demonstrar como ando me sentindo ultimamente, é enlouquecer estar em um limpo de emoções e ao mesmo tempo sentir-se como se não sentisse nada. me pergunto se isso se configura em ser normal ou se eu sou mesmo uma pessoal anormal enfiada em uma farsa de coisas que não sei verbalizar mas que sufocam até a alma e que muitos insistem em rotular como “é a vida!”.

me sinto tão confusa

perdida em meu próprio labirinto de pensamentos.

e todos os dias parecem o mesmo no fim

respirando e ardendo, respirando e ardendo

gritando e ninguém ouvindo.

o tic-tac do relógio dói

é como um lembrete de “você é tão insignificante.

você é tão desnecessário.”

sinto como se fosse apenas mais um,

mais um grão de areia sem sentido.

odeio que o meu máximo não seja suficiente

sempre correndo para estar um passo atrás

dando tudo de mim para receber “você podia ter se esforçando mais”

por que isso é pesado? eu sou o problema?

eu sei que sou capaz

mas porque tudo conspira dizendo o contrário?

ouvir o óbvio é necessário algumas vezes, gosto de ser lembrada que está tudo bem ficar perdida no meio do caminho, que um coração partido não é o fim do mundo, que é só uma fase ruim, que “não esquece o casaco” e “você não é tudo mundo” é um eu te amo, que lavar o machucado e tratá-lo dói mas é o necessário para que não infeccione e se torne algo muito pior e mais doloroso.

às vezes o óbvio precisa ser dito, e principalmente, precisa ser ouvido!

às vezes sair em uma busca desesperada por si próprio é como tomar uma dose de veneno esperando que cicatrize o ralado do joelho.

esperar pela validação dos outros é como se jogar de um penhasco esperando que nuvens fofinhas e macias te acolham no fim da queda.

minha infelicidade é como uma corrente grossa e pesada envolta de um baú velho e empoeirado de sonhos antigos e expectativas inimagináveis, e eu me sinto obrigada a carregar o baú, mesmo pesado, mesmo quando fica difícil de respirar, mesmo quando tudo queima e dói.

tenho a sensação de que o passado é como um fantasma ao meu encalço me velando, e tem momentos em que ele dolorosamente me cutuca no ombro ou sussurra crueldades que espetão meus pensamentos com finas agulhas por dias e dias seguidos.

um dos meus piores defeitos é sempre me deixar levar pela idealização barata de romance que a sociedade implantou a força na minha cabeça. a pior parte disso tudo é que sempre que eu me dou por conta já é tarde demais.

meu coração já está em cacos novamente.

eu adoro o céu noturno e suas estrelas, mas são nos teus olhos escuros onde as estrelas mais bonitas brilham.